“Se uma coisa aumenta ou diminui, facilita ou reduz a potência de agir do nosso corpo, a idéia dessa mesma coisa aumenta, facilita ou reduz a potência de pensar de nossa alma”.
Espinoza (1973, p.190)
Já que no ponto de vista 2 “O que é Samba?”, supomos saber o que é samba e normalmente confundimos samba com carnaval, o que seria então esse fenômeno artístico, estético, cultural, turístico e econômico, que acontece no carnaval da cidade do Rio de Janeiro?[1]
A considerar o que diz e vende para todo o mundo o trade turístico da cidade, que o carnaval da cidade do Rio de Janeiro é o maior espetáculo da terra e, de todos, é o melhor carnaval em todo o planeta, perguntamos: o que distingue o samba do carnaval, o que um tem a ver com o outro ou, em outras palavras: qual foi ou ainda é a função ou contribuição do samba, nessa, que é considerada a maior festa da cidade?
Para entender essas afirmações, essa relação entre samba e carnaval e a confusão que quase não distingue samba de carnaval -, empreendemos neste ponto de vista uma proposta de análise e reflexão, partindo do princípio que historicamente o carnaval na cidade do Rio de Janeiro pode ser estudado, tanto no seu aspecto histórico e econômico, como estético e ético, em dois grandes períodos, ou seja: um antes e outro depois das escolas de samba terem sido aceitas pelo poder público para participar do calendário oficial do carnaval da cidade.
Isso porque, carnaval no Rio de Janeiro nem sempre foi sinônimo de samba ou desfile de escolas de samba: tem um longo histórico de protagonismo de outras instituições carnavalescas, como os cordões, os corsos, os blocos, as grandes sociedades, os ranchos carnavalescos, entre outras instituições carnavalescas, já há muito descritas e contadas por nossos historiadores, como Eneida de Morais, Jota Efegê, Hiram Araújo, Sergio Cabral, entre outros.
Tem também a ocorrência de muitos fatos e o protagonismo de muitos personagens que anteciparam essa grande jornada do samba na projeção do carnaval oficial do Rio de Janeiro a partir de 1935, como o grande, polêmico e retumbante sucesso da música “Pelo Telefone” no Carnaval de 1917, que, registrada por Donga e gravada pela ODEON, marca a passagem dos sambas intimista de terreiro e de partido-alto –, e portanto de domínio público -, muito praticado na “Casa da Tia Ciata”, para os sambas registrados para garantias de direito autoral e adaptados para os fins comerciais das indústrias fonográfica e radiofônica que nasciam e cooptavam os sambistas – ou os compradores de samba -, para gravar os sucessos populares que o samba já produzia na época. CABRAL, 1996:
Fig. 6 – Donga com o selo do disco e o registro da música Pelo Telephone
Como também, a tão comentada notícia que, discriminatoriamente, a imprensa da época veiculou sobre a viagem do conjunto Oito Batutas à Paris[2]. A consagração de Pixinguinha e do seu conjunto “Os Oitos Batutas” pelo público francês na sua temporada em Paris em 1922, não só foi um reconhecimento externo de uma das vertentes do então marginalizado samba, como também repercutiu sobremaneira na sua aceitação interna pela elite brasileira, muitas vezes preconceituosa, como mostra a matéria abaixo:
Fig. 7 – Matéria do Jornal sobre os 8 Batutas em Paris
E também, a criação, em 1928, da “Deixa Falar” por Ismael Silva e pela turma de jovens sambistas que se reuniam no bairro do Estácio. Parafraseando Luis Melodia, “Essa juventude transviada”, que se intitulavam professores de samba, “com o auxílio luxuoso de um pandeiro” e com a astúcia malandra para reverter a repressão policial ao samba, foi, de fato, a turma responsável no Estácio pelo que viria a ser a primeira referência de escola de samba no Brasil[3]–, composta, por exemplo, por figuras como Ismael Silva, Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Alcebíades Barcelos (Bide) e Armando Marçal, mostrados nos quadros abaixo.[4]
Fig.8 – Ismael Silva e a Turma do Estácio
Além dos desfiles das escolas de samba nos carnavais de 1932, 1933, na Praça Onze, promovidos extra-oficialmente pelo Jornal Mundo Esportivo e em 1934, no Campo de Santana, promovido pelo Jornal o Globo. Ocasião em que também foi criada, em 6 de setembro desse mesmo ano, da UES – União das Escolas de Samba, que integrando 28 escolas de samba na época, garantiu subvenção da então Diretoria Geral de Turismo da Prefeitura do Distrito Federal para inaugurar os desfiles oficiais das escolas de samba na cidade em 1935. (CABRAL, 1996:97)
No escopo de nossa análise, no entanto, como foi de interesse apenas sublinhar essa distinção entre samba e carnaval e a transformação dos carnavais depois do samba, optamos por esse segundo período dessa milenar festa popular no Rio de Janeiro, onde indicamos como ponto de inflexão, o carnaval de 1935, quando se iniciaram os desfiles oficiais de escolas de samba na cidade e, para a nossa análise, se estendeu até o carnaval de 2015, quando se comemorou os 80 anos de desfiles oficiais e os 450 anos da cidade.
Nossa análise, não aleatoriamente, partiu de um estudo não exaustivo da representação social dos temas de enredo das escolas de samba que foram campeãs nesse período de 1935 a 2015, à começar pelo emblemático e profético enredo “O samba dominando o mundo”- de Paulo da Portela para a então Escola de Samba “Vai Como Pode”, em 1935[5] e terminou com o enredo “Um Griô Conta a História: um olhar sobre a África e o despontar da Guina Equatorial – Caminhemos sobre a Trilha de nossa Felicidade”, do carnaval de 2015, que gerou na imprensa e nas redes sociais uma das mais ruidosas polêmicas internacionais sobre um campeonato de carnaval de escola samba, que se tem notícia.[6]
Fig.9 – Principais imagens dos enredos da Portela, de 1935 e da Beija-Flor, de 2015
Na análise desse trajeto cronológico em que o samba, através do carnaval, parece – a exemplo do próprio patrocínio da distante Guiné Equatorial – ter, de fato, dominado o mundo, entendemos que muitos sambistas, profissionais e produtores do mundo do samba, por confundirem o fenômeno cultural “samba” com o seu principal evento no Rio de Janeiro “carnaval”, subutilizam as virtualidades e potencialidades, tanto de um – enquanto força motriz, manifestação cultural tradicional, evento comunitário e identitário da cidade e do Brasil -, como do outro – enquanto mega-espetáculo, evento turístico e espetáculo midiático, que se promove majoritariamente através do samba. Como também, minimizam o fato de que o carnaval do Rio de Janeiro é o mais importante evento de promoção do samba, e como tal, foi o principal responsável por projetar a sua vertente samba-enredo para o mundo, através das escolas de samba. Sabidamente as escolas de samba não são as únicas instituições culturais que produzem e preservam o samba na cidade, mas foram as responsáveis por transformar o carnaval carioca, após 1935, nessa potência cultural, turística e econômica, a ponto de também transformar, criar e impactar muitos outros carnavais em outras cidades brasileiras ou festivais de samba existentes hoje no mundo[7].
Esse entendimento, nascido da reflexão sobre o passado e o presente do carnaval na cidade o Rio de Janeiro, foi baseado em uma breve pesquisa feita inicialmente a partir dos livros de Hiram Araujo e Amauri Jório, (ARAÚJO, JÓRIO, 1969) (ARAÙJO, 2003), (CABRAL, 1996), Dulce Tupy, (TUPY, 1985) e da análise das mensagens veiculadas nas entrelinhas dos temas de enredo das escolas de samba campeãs dos últimos oitenta anos (de 1935 a 2015) e das sinopses e letras de sambas enredos dos últimos dez anos (de 2005 a 2015)[8]
Ela nos mostra como o samba, os sambistas e as escolas de samba foram capazes, nesses 80 anos, de transformar não só o carnaval do Rio de Janeiro, mas a própria forma como o Estado Novo – que precisava se legitimar com a cultura do povo – e a sociedade brasileira – que precisava de uma identidade cultural – os acolheram e os cooptaram para as muitas trocas de favores, acordos, apologias, promoções e até emergências de guerra: de expressão cultural totalmente discriminada e marginalizada – já que representava a cultura de uma população negra, recém-saída de um longo período de escravidão, desempregada pela importação de mão de obra de imigrantes, precarizada com a falta de acesso à moradia, saúde e educação e, impedida pela própria polícia da época de se expressar – “deu a volta por cima” e, “malandramente”, a exemplo da turma do Estácio e tomando de empréstimo a tese do antropólogo Roberto da Matta[9], criou um novo ritmo para o carnaval e com o seu “Bum Bum Paticumbum Prugurundum[10]”, enredou (nos seus enredos) instituições, fatos e personalidades, promoveu cidades, estados e países para fins diversos, ao mesmo tempo que se autopromoveu e instituiu o evento cultural mais representativo da cidade., como mostram aqueles números da RIOTUR para o carnaval de 2015[11].
Uma síntese desses 80 anos nos mostra que nos anos 30 e 40 as escolas de samba, desfilavam na Praça Onze e flertava com o Estado e promovia temas históricos e enredos de interesse político. Na década de 1950 desfilavam na Avenida Presidente Vargas, nas imediações da Igreja da Candelária e passaram a sofrer a influência de artistas plásticos de formação acadêmica, que imprimiram nova concepção ao visual das escolas. Na década de 60, com o enredo Zumbi dos Palmares do Salgueiro, inaugura a promoção de enredos sobre o legado africano na cultura brasileira. Em meados da década de 1970, o luxo e a riqueza, segundo enredo campeão da Escola de Samba Império Serrano, passaram a “ocupar o lugar dos valores autênticos do samba. É a época das ditas “Super Escolas de Samba S.A”, das “Super Alegorias”, que passaram a desfilar na Marquês de Sapucaí. Com a inauguração do Sambódromo em 1984, inicia-se a fase mais espetacular e cenográfica e comercial dos desfiles das escolas de samba, dada as condições e proporções da nova arena para o espetáculo.
No entanto, a análise apenas dos temas de enredo, suas sinopses e os textos dos sambas-enredo das escolas de samba campeãs dos últimos dez anos, ou seja, de 2005 a 2015, com cinco campeonatos da Escola de Samba Beija-Flor, três campeonatos da Escola de Samba Unidos da Tijuca, dois campeonatos da Escola de Samba Vila Isabel e um da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, independente dos valores tradicionais do samba e das subjetividades dos julgadores, nos mostra que essa relação das escolas de samba com o carnaval se mantém ainda mais intensa e vem estabelecendo trocas de favores mais complexas com o Estado, empresas, personalidades e instituições sociais nacionais e estrangeiras, mas também premiando as escolas de samba que melhor vem se utilizando das benesses e patrocínios provenientes dessas trocas, para melhor atender os parâmetros ou melhor pontuar os quesitos que passaram a valorar esteticamente os desfiles de carnaval no Rio de Janeiro, como, por exemplo, Enredo, Samba-Enredo, Bateria, Harmonia, Fantasia, Evolução, Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
O quadro “CRONOLOGIA DAS ESCOLAS DE SAMBA CAMPEÃS DE 1935 A 2015”, mostrado a seguir, foi ao mesmo tempo o resultado da pesquisa e a fonte de uma breve análise, também feitas para a instituição do grupo de pesquisa e do repositório digital “Memorável Samba”[12]. Representam um ponto de partida para pesquisas em novas fontes documentais, para a inserção coletiva e colaborativa de novos dados, documentos e acervos de pesquisadores e instituições de samba e carnaval, para análises futuras mais aprofundadas.
Fig. 10 – Logo do Grupo de Pesquisa Memorável Samba
CRONOLOGIA DAS ESCOLAS DE SAMBA CAMPEÃS DE 1935 A 2015[13] |
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ANO |
ESCOLA CAMPEÃ |
TEMA DO ENREDO |
AUTOR (ES) DO SAMBA-ENREDO |
LINKS PARA A LETRA OU MUSICA EM MP3 |
1935 | Vai Como Pode. | O Samba dominando o mundo. | Paulo da Portela e Antônio Caetano. | Sambas cantados no desfile
“Alegria tu terás” Autor: Antônio Caetano. “Linda Guanabara” Autor: Paulo da Portela. |
1936 | Unidos da Tijuca. | Sonhos Delirantes. | ||
1937 | Vizinha Faladeira. | Uma só bandeira. | ||
1938 | Não houve concurso em virtude das chuvas que impediram que impediram a presença de alguns membros da Comissão Julgadora. | |||
1939 | Portela | Festa do Samba. | ||
1940 | Mangueira | Prantos Pretos e Poetas | ||
1941 | Portela | Dez anos de glória | Paulo da Portela e Antônio Caetano. | |
1942 | Portela | A Vida do Samba.
Enredo de Lino Manuel dos Reis. |
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1943 | Portela | Carnaval de Guerra.
Enredo de Lino Manuel dos Reis |
Nilton Baratinha. | |
1944 | Portela | Brasil Glorioso | Nelson Santos. | |
1945 | Portela | Motivos Patrióticos. | José Barriga Duarte. | |
1946 | Portela | Alvorada do Novo Mundo. | ||
1947 | Portela | Honra ao Mérito.
Enredo de Euzébio Gonçalves. |
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1948 | Mangueira e Império Serrano. | Enredo-Vale do São Francisco.
Obs: Foi nesse Carnaval que Cartola apresentou o seu último samba enredo. Império Serrano: Enredo – Castro Alves. |
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1949 | Mangueira e Império Serrano. | Mangueira:
Apoteose ao Mestre.
Império Serrano: Enredo- Tiradentes |
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1950 | Mangueira, Império Serrano. | Saúde, Lavoura, Trasnsporte, Educação.
Império Serrano: 61 de República.
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1951 | Portela e Império Serrano. | Portela: A Volta do Filho Pródigo.
Império Serrano: Batalha Naval Federação).
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1952 | Concurso anulado entre as campeãs devido a forte chuva que avariou as fantasias do Império Serrano, que sentindo-se derrotado, procurou retirar do palanque os membros do júri. | |||
1953 | Portela | Seis datas Magnas. | ||
1954 | Mangueira | Rio Através dos séculos. | ||
1955 | Império Serrano. | Exaltação a Caxias . | ||
1956 | Império Serrano. Caçador de Esmeraldas. | |||
1957 | Portela. | Portela: Legados de D. João VI. | Candeia. | |
1958 | Portela | Vultos e Efemérides do Brasil. | ||
1959 | Portela. | Brasil, Panteon de Gloria. | Walter Rosa | |
1960 | Império Serrano
Portela Mangueira Salgueiro Unidos da Capela
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Império- Medalhas e Brasões.
Portela- Rio Cidade Etena.
Mangueira- Carnaval de todos os tempos. Salgueiro- Quilombo dos Palmares.
Unidos da Capela- Produtos e Costumes da Nossa Terra.
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1961 | Mangueira | Enredo: Reminiscência do Rio Antigo.. | ||
1962 | Portela. | Rugendas
Enredo de Nelson de Andrade. |
Samba de Zé Keti, Sebastião Balbino, Nilton Baratinha e Alves. | |
1963 | Salgueiro. | Chica da Silva.
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1964 | Portela. | O Segundo Casamento de D. Pedro II.
Enredo de Nelson Andrade. |
Samba de Antônio Alves. | |
1965 | Acadêmicos do Salgueiro. | História do Carnaval Carioca. | ||
1966 | Portela.
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Enredo Memórias de um Sargento de Milícias.
Enredo Nelson de Andrade. |
Samba de Paulinho da Vi
ola. |
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1967 | Mangueira | O Mundo Encantado de Monteiro Lobato. | Samba de Darcy, Hélio Turco, Jurandir, Luiz, Batista e Dico. | |
1968 | Mangueira | Samba Festa de um Povo. | ||
1969 | Salgueiro. | Bahia de Todos os Santos. | ||
1970 | Portela | Lendas e Mistérios da Amazônia. | ||
1971 | Salgueiro | Festa para um Rei Negro. | ||
1972 | Império Serrano | Alô,Alô,Taí Carmem Miranda. | ||
1973 | Mangueira | Lendas do Abaeté | ||
1974 | Salgueiro | Rei da França na Ilha da Assombração. | ||
1975 | Salgueiro | O Segredo das Minas do Rei Salomão. | ||
1976 | Beija- Flor | Sonhar com o Rei dá Leão. | ||
1977 | Beija- Flor | Vovó no Reino da Saturnália na Corte Egipciana. | ||
1978 | Beija Flor | A criação do Mundo na Tradição Nagô. | ||
1979 | Mocidade | O Descobrimento do Brasil. | ||
1980 | Imperatriz
Portela Beija- Flor |
Imperatriz:O que a Bahia tem.
Portela: Hoje tem Marmelada. Beija Flor: O Sol da meia-noite, Uma viagem ao País das Maravilhas. |
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1981 | Imperatriz | O Teu Cabelo Não Nega. | ||
1982 | Império-Serrano. | Bum-Bum Paticumbum Prugurundum. | ||
1983 | Beija Flor | A Grande Constelação das Estrelas Negras. | ||
1984 | Mangueira | Yes, Nós Temos Braguinha. | ||
1985 | Mocidade Independente de Padre Miguel | Enredo:
Ziriguidum 2001, Carnaval nas estrelas. |
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1986 | Mangueira | Caymmi mostra ao mundo, o que a Bahia e a Mangueira têm. | ||
1987 | Mangueira | No Reino das Palavras, Carlos Drummond de Andrade. | https://www.youtube.com/watch?v=mnXLZMbiQxU | |
1988 | Unidos de Vila Isabel. | Kizomba, festa de uma raça. | ||
1989 | Imperatriz Leopoldinense. | Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós. | ||
1990 | Mocidade | Vira, virou, a Mocidade chegou. | ||
1991 | Mocidade | Chuê, Chuá as Águas Vão Rolar. | ||
1992 | Estácio de Sá | Paulicéia Desvairada,70 anos de Modernismo no Brasil. | ||
1993 | Salgueiro | Peguei um Ita no Norte. | ||
1994 | Imperatriz Leopoldinense. | Catarina de Médice na Corte dos Tupinanbôs e Tabajares. | ||
1995 | Imperatriz Leopoldinense. | Enredo:
Mais Vale um Jegue que me Carregue,que um Camelo que me Derrube lá no Ceará) |
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1996 | Mocidade | Criador e Criatura. | ||
1997 | Viradouro | Trevas! A Luz! A Explosão do Universo. | ||
1998 | Mangueira
Beija Flor |
Mangueira:
Chico Buarque da Mangueira.
Beija Flor: Pará- O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu Anu. |
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1999 | Imperatriz | Brasil Mostra a Sua Cara Em…. Theatrum Rerum Naturalium Brasilae. | ||
2000 | Imperatriz | Quem descobriu o Brasil, foi seu Cabral ,no dia 22 de abril, dois meses despois do Carnaval. | ||
2001 | Imperatriz | Cana- Caiana, Cana Roxa, Cana Fita, Cana Preta, Amarela, Pernanbuco… Quero vê descê o suco, na pancada do ganzá. | ||
2002 | Mangueira | Brasil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é a Nação do Nordeste. | ||
2003 | Beija Flor | O povo conta a sua história- Saco vazio não para em pé- A mão que faz a guerra, faz a paz. | ||
2004 | Beija Flor | Manôa, Manaus, Amazônia Terra Santa:Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz | ||
2005 | Beija Flor | O vento corta as terras dos Pampas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Guarani. Sete Povos na fé e na dor… Sete Missões de amor | ||
2006 | Vila Isabel | Soy loco por ti America – A Vila canta a latinidade | ||
2007 | Beija- Flor | Áfricas: do Berço Real a Corte Brasiliana | ||
2008 | Beija- Flor | Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo | ||
2009 | Salgueiro | “Tambor” | ||
2010 | Unidos da Tijuca. | “É Segredo” | ||
2011 | Beija-Flor | “A Simplicidade de Um Rei” | ||
2012 | Unidos da Tijuca | “O DIA EM QUE TODA A REALEZA DESEMBARCOU NA AVENIDA PARA COROAR O REI LUIZ DO SERTÃO” |
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2013 | Vila Isabel | “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo – “Água no feijão que chegou mais um” | ||
2014 | Unidos da Tijuca | “Acelera, Tijuca!” | ||
2015 | Beija-Flor | Um Griô conta a história: Um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade. | ||
NOTAS | ||||
Quadro 3 – Cronologia das Escolas de Samba Campeãs de 1935 a 2015
Nesse sentido, sendo a Escola de Samba Beija-Flor, a que nos últimos dez anos tem sido a mais premiada – com cinco campeonatos – por essa competência de melhor utilizar os recursos e patrocínios provenientes dessas trocas, para obter a melhor pontuação nos quesitos que caracterizam a estética dos desfiles de carnaval no Rio de Janeiro, usamos o seu desfile campeão do carnaval de 2015 como referência, não só para apresentar esses quesitos, como também para refletir sobre o quanto de samba ainda reside nessa estética de desfile de carnaval do grupo especial. Ou seja, o quanto ainda existe do “cantar, dançar e batucar” apontado por FU-KIAU, da “Alegria” apontado por SODRÉ, da força motriz (ou Axé) apontados por LIGIÉRO ou mesmo da “Malandragem”, apontada por DA MATTA – referências tradicionais do samba – nos atuais desfiles de escolas de samba no carnaval.
Sendo assim, a partir dos quesitos Harmonia, Fantasia, Alegoria, Mestre Sala e Porta Bandeira, Comissão de Frente, Samba Enredo, Bateria, Enredo e Evolução, tendo também como referência o mapa de notas dos jurados e o resultado alcançado pela Beija-Flor nesse seu desfile campeão[14], nos permitimos, como observadores direto no local do desfile, interpretá-los também por outro viés, ou seja: pela permanência, ou não, do “cantar, dançar e batucar”, da “Alegria” e da “força motriz” (ou Axé), elementos tradicionais do samba, como defendidos no PONTO de VISTA 2 – “O que é Samba”, desta tese.
Quadro 4 – Mapa de Notas obtidas pelas escolas de samba no desfile de 2015
HARMONIA
Harmonia, em desfile de Escola de Samba, é o entrosamento entre o ritmo e o canto[15].
Fig. 11 – Componente da Beija-Flor soltando a voz no desfile para ajudar na harmonia
Na nossa observação, todos os componentes da escola cantaram o samba-enredo com muita emoção, frequência e intensidade na tonalidade. Um coral a cinco mil vozes, em total sintonia com o canto do intérprete Neguinho da Beija-Flor, de voz potente, inconfundível e já consagrada na avenida. O impacto dessa harmonia no público presente foi intenso e fez multiplicar o canto por toda a passarela de desfile. Fato que caracteriza um dos aspectos mais interessantes e belos do espetáculo: a participação e fusão do canto do público com o dos componentes da escola.
Portanto, os elementos tradicionais no samba “Cantar, Dançar e Batucar”, “Alegria” e “Axé” estiverem presente, de fato, nesse quesito do desfile de carnaval da Escola de Samba Beija-Flor, que recebeu dos quatros jurados as notas 10, 10, 10 e 9,8. Retirada a menor nota, teve a maior pontuação nesse quesito: 30 pontos.
FANTASIAS
Neste quesito estão em julgamento as fantasias apresentadas pela Escola, com exceção das que estiverem sobre as alegorias, as fantasias do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e a fantasia da Comissão de Frente[16]. (LIESA, 2015)
Fig. 12 – Passista da Beija-Flor apresentando sua bela fantasia
Observamos que as fantasias estavam muito criativas, belas e sintonizadas com a proposta do enredo, utilizando cores e materiais adequados e muito bem acabadas, indicando que a Escola não poupou recursos financeiros para a aquisição de materiais e confecção das fantasias. O “Cantar, Dançar e Batucar” elementos tradicionais do samba, não se aplicam nesse quesito. No entanto, a beleza das fantasias e o encantamento que elas provocam nos desfilantes, vão além do seu caráter ornamental: conferem a eles, aos seus corpos e aos seus espectadores, toda potência e alegria que as fantasias (também no sentido psicológico) são capazes de promover em suas almas. A escola recebeu nota 10 de todos os jurados.
ALEGORIAS E ADEREÇOS
Neste Quesito estão em julgamento as Alegorias (entendendo-se, como tal, qualquer elemento cenográfico que esteja sobre rodas, incluindo os tripés) e os Adereços (entendendo-se, como tal, qualquer elemento cenográfico que não esteja sobre rodas), exceto os utilizados para a realização das Comissões de Frente, que serão avaliados pelos julgadores daquele quesito.[17] (LIESA, 2015)
Fig. 13 – Carro alegórico de abertura
Observamos que o efeito cenográfico das alegorias e adereços no desfile da Escola de Samba Beija-Flor foi muito impactante para os espectadores. No entanto, os elementos tradicionais do samba não se encontram representados nesse quesito, já que herdados dos ranchos, das grandes sociedades e das escolas de belas-artes. Sendo o quesito que envolve o maior custo financeiro e o de maior apelo cenográfico e ornamental, seu efeito acaba por concorrer e omitir aqueles elementos tradicionais do samba, pois Cantar, Dançar e Batucar em cima de carros alegóricos não parece ser tão natural e espontâneo, como no chão da avenida. O mesmo para a Alegria e o Axé, sentida nos componentes sobre as alegorias. O impacto visual, no entanto, visto de longe e das arquibancadas é, de fato, surpreendente. A escola recebeu nota 10 de todos os jurados.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA[18] (LIESA, 2015)
Fig. 14 – Apresentação do Mestre-sala com a Porta-Bandeira
Sendo um dos quesitos mais tradicionais nas escolas de samba, a dança do mestre-sala com a porta-bandeira foi bem representativa da presença do samba no desfile de carnaval. A riqueza, a beleza das suas indumentárias e a leveza de movimento do casal Selminha Soriso e Rogerinho, conferiram um belo espetáculo de dança na avenida. A Escola recebeu as notas máximas de todos os jurados, totalizando 30 pontos.
COMISSÃO DE FRENTE
A Comissão de Frente poderá se apresentar a pé ou sobre rodas, trajando fantasias dentro da proposta do enredo ou tradicionalmente.[19] (LIESA, 2015)
Fig. 15 – Apresentação da Comissão de Frente
A apresentação da Comissão de Frente da Beija-Flor neste desfile foi muito impactante. Cumpriu sua missão de saudar o público e apresentar o enredo da escola aos espectadores. A Escola recebeu as notas máximas de todos os jurados, totalizando 30 pontos.
SAMBA-ENREDO [20]
No Quesito Samba-Enredo o Julgador irá avaliar a Letra e a Melodia do SambaEnredo apresentado, respeitando-se a licença poética musical para facilitar o canto e a dança dos desfilantes.[21] (LIESA, 2015)
Fig. 16 – Apresentação do principal intérprete do Samba Enredo, Neguinho da Beija-Flor
BATERIA[22] (LIESA, 2015)
Fig. 17 – Apresentação da Bateria comandada pelo Mestre
ENREDO
Enredo, em desfile de Escola de Samba, é a criação e a apresentação artística de um tema ou conceito.[23] (LIESA, 2015)
Fig. 18 – Imagem com o tema do enredo
EVOLUÇÃO
Evolução, em desfile de Escola de Samba, é a progressão da dança de acordo com o ritmo do Samba que está sendo executado e com a cadência da Bateria.[24] (LIESA, 2015)
Fig. 19 – Imagem com a evolução da Beija-Flor na avenida de desfile
Entendemos também que essa estética do desfile das escolas de samba no carnaval do Rio de Janeiro, expressas nos quesitos de julgamento e baseada no “Batucar, Cantar e Dançar”, de que nos fala FU-KIAU, na “Alegria” de que nos fala SODRÉ ou na “Força Motriz”, de que nos diz LIGIÉRO, traz em si uma subjetividade e veicula uma ética muito além daquela da inversão de regras e valores sociais, de que nos fala BAKHTIN[25]. Entendemos que ela está, na verdade, expressa nos corpos dos sambistas, dos foliões de carnaval e dos espectadores que cantam, dançam, batucam, se tocam, se alegram e se embriagam ao participar dos contagiantes desfiles de blocos e escolas de samba na cidade e, por isso, se constitui, no seu conjunto e na sua totalidade[26], numa expressão singular de potência, surgida dos afetos e afecções desses corpos, tal como nos fala ESPINOSA.
“Por afeto compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada, e, ao mesmo tempo, as idéias dessas afecções” (Espinosa 15, EIII Def.3)
“se vários indivíduos contribuem para uma única ação, de maneira tal que sejam todos, em conjunto, a causa de um único efeito, considero-os todos, sob este aspecto, como uma única coisa singular” (Espinosa 15, EII Def.7)
“A alegria e a tristeza são o próprio desejo ou apetite, enquanto ele é aumentado ou diminuído, favorecido ou reduzido por causas exteriores” (Espinosa 15, EIII DP57).
Portanto, entendemos que mais do que os resultados das escolas no julgamento e no valor das notas dos jurados nos quesitos, essa potência, esses afetos e afecções são parâmetros também importantes a considerar quando se quer caracterizar ou dizer o que é o carnaval na cidade do Rio de Janeiro e entender a sua expansão no mundo.
[3] Embora caracterizada como uma escola de sambistas, segundo Sergio Cabral a Deixa falar nunca foi uma escola de samba: foi, na verdade um bloco carnavalesco, criado em 12 de agosto de 1928, que mais tarde virou rancho. (CABRAL, 1996:42).
[4] O contexto cultural desses sambistas e toda sua produção musical, que são de extrema importância para a história do samba, podem ser conhecida e ouvida na obra de “Samba de Sambar do Estácio”, de Humberto Franceschi (FRANCHESCHI, 2014), Nos dois quadros apresentados, apenas alguns deles: no primeiro Ismael Silva e no segundo, da esquerda para a direita: Paulo Benjamim de Oliveira (Paulo da Portela), Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Alcebíades Barcelos (Bide) e Armando Marçal.
[5] Neste carnaval o atual Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela ainda se denominava “Vai Como Pode”, que por imposição do Delegado de Polícia Dulcídio Gonçalves não “pode” mas usar esse nome, por considera-lo inadequado. O motivo do enredo muito provavelmente deve-se a projeção que o samba começava a fazer fora do Brasil com viagens dos 8 Batutas à Paris, de Paulo da Portela e Heitor dos prazeres ao Uruguai e à Argentina, como também a visita que o Professor Henri Wallon, da Sorbone, fez á sede da Portela em 1935, levado pelo jornalista Mota Lima, da Tribuna Popular. (CABRAL, 1996:103)
[6] A polêmica que ganhou destaque internacional referiu-se ao suposto patrocínio de R$ 10 milhões oferecidos à Escola de Samba Beija Flor pelo ditador Teodoro Obiang – há 35 anos no comando da Guiné Equatorial -, para levar à Sapucaí um enredo que ao mesmo tempo falou da alma africana e exaltou esse país da África.
[7] Assunto que será abordado nesta tese no Ponto de Vista 6 – O Samba no Mundo
[8] Os textos dos enredos e seus respectivos sambas enredos, que foram localizados, estão acessíveis no Apêndice desta tese.
[9] Em seu livro “Carnavais, Malandros e Heróis”, quando defende que o símbolo do carnaval do Rio de Janeiro é o do “Malandro”, aquele personagem deslocado que não vive nem dentro da ordem, nem fora dela: vive nos interstícios entre ordem e a desordem, utilizando ambas e nutrindo-se tanto dos que estão fora quanto dos que estão dentro do mundo quadrado da estrutura (DA MATTA, 1980:133)
[10] Bum Bum Paticumbum Prugurundum representou uma batida de samba diferente de qualquer outro ritmo de manifestação carnavalesca. Essa expressão foi cunhada pelo sambista Ismael Silva, um dos fundadores da Deixa Falar, em entrevista ao então jornalista Sérgio Cabral ao responder a pergunta: Sergio Cabral – Vocês do Estácio tinham consciência de que estavam lançando um novo tipo de samba? Ismael Silva – É que quando comecei, o samba da época não dava para os grupos carnavalescos andarem na rua, conforme a gente vê hoje em dia. O estilo não dava pra andar. Eu comecei a notar que havia essa coisa. O samba era assim tan tantan tan tantan. Não dava. Como é que um bloco ia andar na rua assim? Ai, a gente começou a fazer um samba assim: bum bum paticumbum prugurundum. (CABRAL, 1996: 242)
[11] Sabemos que a relação do samba com o carnaval no Rio de Janeiro vai além do praticado pelas escolas de samba do grupo especial nos desfiles do sambódromo, mesmo sendo este o evento âncora do carnaval carioca. Tomamos somente ele como objeto de nossa análise por questões puramente metodológicas para este ponto de vista da tese.
[12] Grupo de Pesquisa criado para promover a memória do samba e do carnaval, através do repositório digital, acessível no endereço: http://acervos.culturadigital.br/memoravelsamba/
[13] Quadro criado através de pesquisa nos livros de Hiram Araujo e Amauri Jório, (ARAÚJO, JÓRIO, 1969) (ARAÙJO, 2003), Dulce Tupy, (TUPY, 1985),
[14] Os quesitos e os resultados foram baseados no quadro de notas dos jurados e pela publicação “Manual do Julgador” da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – LIESA (LIESA, 2015)
[15] Para conceder notas de 09 à 10 pontos no quesito Harmonia , o Julgador deverá considerar:
[16] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos no quesito Fantasia, o Julgador deverá considerar:
CONCEPÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a concepção e a adequação das Fantasias ao Enredo as quais devem cumprir a função de transmitir as diversas partes do conteúdo desse Enredo; · a capacidade de serem criativas, mas devendo possuir significado dentro do Enredo; REALIZAÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a impressão causada pelas formas e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores; · os acabamentos e os cuidados na confecção das fantasias que deverão também possibilitar uma boa evolução dos componentes; · a uniformidade de detalhes, dentro das mesmas Alas, Grupos e/ou Conjuntos (igualdade de calçados, meias, shorts, biquínis, soutiens, chapéus e outros complementos, quando ficar nítido esta proposta).
[17] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos ao quesito Alegorias e adereços, o Julgador deverá considerar: · o julgamento apenas das alegorias e/ou adereços apresentados em desfile; CONCEPÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a concepção e a adequação das Alegorias e dos Adereços ao Enredo que devem cumprir a função de transmitir as diversas partes do conteúdo desse Enredo; · a criatividade, mas devendo, necessariamente, possuir significado dentro do Enredo; REALIZAÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos); · a impressão causada pelas formas e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores; · os acabamentos e cuidados na confecção e decoração, no que se refere ao resultado visual, inclusive das partes traseiras e geradores; · que os “destaques” e “figuras de composição”, com suas respectivas fantasias, devem ser julgados como partes integrantes e complementares das Alegorias.
[18] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos ao quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, o Julgador deverá considerar: INDUMENTÁRIA: · a indumentária do casal, verificando sua adequação para a dança e a impressão causada pelas suas formas e acabamentos; beleza e bom gosto. DANÇA: · a exibição da dança do casal, considerando-se que não “sambam” e sim executam um bailado no ritmo do samba, com passos e características próprias, com meneios, mesuras, giros, meias-voltas e torneados, sendo obrigatória a sua exibição diante dos Módulos de Julgamento; · a harmonia do casal que, durante a sua exibição, com graça, leveza e majestade, deve apresentar uma seqüência de movimentos coordenados, deixando evidenciada a integração do casal; · que a função do Mestre-Sala é cortejar a Porta-Bandeira, bem como proteger e apresentar o Pavilhão da Escola, devendo desenvolver gestos e posturas elegantes e corteses, que demonstrem reverência à sua dama (PortaBandeira); · que a função da Porta-Bandeira é conduzir e apresentar o Pavilhão da Escola, sempre desfraldado e sem enrolá-lo em seu próprio corpo ou deixá-lo sob a responsabilidade do Mestre-Sala;
[19] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos, ao quesito Comissão de Frente, o Julgador deverá considerar: CONCEPÇÃO / INDUMENTÁRIA: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a concepção da comissão de frente e a sua capacidade de impactar positivamente o público, no momento da apresentação da Escola; · a indumentária da Comissão de Frente, levando-se em conta, neste caso, sua adequação para o tipo de apresentação proposta. APRESENTAÇÃO / REALIZAÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · o cumprimento da função de saudar o público e apresentar a Escola, sendo obrigatória a exibição em frente às cabines de julgamento deste Quesito, mesmo que em movimento; · a coordenação, o sincronismo e a criatividade de sua exibição, podendo evoluir da maneira que desejar.
[20] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos no quesito Fantasia, o Julgador deverá considerar:
CONCEPÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a concepção e a adequação das Fantasias ao Enredo as quais devem cumprir a função de transmitir as diversas partes do conteúdo desse Enredo; · a capacidade de serem criativas, mas devendo possuir significado dentro do Enredo; REALIZAÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a impressão causada pelas formas e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores; · os acabamentos e os cuidados na confecção das fantasias que deverão também possibilitar uma boa evolução dos componentes; · a uniformidade de detalhes, dentro das mesmas Alas, Grupos e/ou Conjuntos (igualdade de calçados, meias, shorts, biquínis, soutiens, chapéus e outros complementos, quando ficar nítido esta proposta).
[21] Para conceder notas de 09 à 10 pontos ao quesito Samba-Enredo, o Julgador deverá considerar:
LETRA (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a letra poderá ser descritiva ou interpretativa, sendo que a letra é interpretativa a partir do momento que contar o Enredo, sem se fixar em detalhes. Considerar: · a adequação da letra ao enredo; · sua riqueza poética, beleza e bom gosto; · a sua adaptação à melodia, ou seja, o perfeito entrosamento dos seus versos com os desenhos melódicos. MELODIA (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) Considerar: · as características rítmicas próprias do samba; · a riqueza melódica, sua beleza e o bom gosto de seus desenhos musicais; · a capacidade de sua harmonia
[22] Para conceder notas de 09 à 10 pontos, o Julgador deverá considerar: · a manutenção regular e a sustentação da cadência da Bateria em consonância com o Samba-Enredo; · a perfeita conjugação dos sons emitidos pelos vários instrumentos; · a criatividade e a versatilidade da Bateria.
[23] Para conceder notas de 9,0 à 10,0 pontos, o Julgador deverá considerar: CONCEPÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · o argumento ou tema, ou seja, a idéia básica apresentada pela Escola e o desenvolvimento teórico do tema proposto. REALIZAÇÃO: (valor do sub-quesito: de 4,5 à 5,0 pontos) · a sua adaptação, ou seja, a capacidade de compreensão do enredo a partir da associação entre o Tema ou Argumento proposto e o seu desenvolvimento apresentado na Avenida através das Fantasias, Alegorias e outros elementos plástico-visuais. · a apresentação seqüencial das diversas partes (alas, alegorias, fantasias, etc.) que irá possibilitar o entendimento do tema ou argumento proposto, de acordo com o roteiro previamente fornecido pela Escola (Livro Abre-Alas); · a criatividade (não confundir com ineditismo);
[24] Para conceder notas de 09 à 10 pontos, o Julgador deverá considerar: · a fluência da apresentação penalizando, portanto, a ocorrência de correrias e de retrocesso e/ou retorno de Alas, Destaques e/ou Alegorias; · a espontaneidade, a criatividade, a empolgação e a vibração dos desfilantes; · a coesão do desfile, isto é, a manutenção de espaçamento o mais uniforme possível entre Alas e Alegorias, penalizando, portanto, a abertura de claros (buracos) e a embolação de Alas e/ou Grupos (ex: uma Ala penetrando na outra).
[25] Segundo Bakhtin, a linguagem da carnavalização – que também é uma cosmovisão – é a da inversão de valores e do realismo grotesco. Em sua obra sobre a cultura popular na idade média e no renascimento (BAKHTIN, 2010, p.27), o carnaval era o momento em que a cultura do povo encontrava oportunidade para uma subversão não destrutível, onde o pobre e o rico eram nivelados, pois, nas apresentações do inferno medieval era isso o que se manifestava, “Alexandre o Grande remendava calções e assim ganhava a vida, Xerxes lá vende mostarda, Rômulo é lenhador, Dário limpador de latrinas”. O realismo grotesco está essencialmente associado com a carnavalização, são manifestações da contra ditoriedade, do movimento e do inacabamento, Bakhtin o designa como “tipo específico de imagens da cultura cômica popular em todas as suas manifestações (APUD, LEITE, 2011)
[26] Embora reconheçamos a importância e grandeza dos desfiles das muitas escolas de samba dos grupos A, B, C, D e E, das escolas de samba mirins e dos mais de 450 blocos de rua no universo do carnaval da cidade do Rio de Janeiro em 2015, optamos por refletir apenas sobre o desfile da escola de samba, Beija-Flor, por questões operacionais e metodológicas. Sobre o tamanho desse universo, veja o documento “Rio Carnaval 2015” (RIOTUR, 2015), disponível em: http://carnaval2015.rioguiaoficial.com.br/assets/home/img/CARNAVALAO2015.pdf